A localização Portugal pode ser de elevada atractividade para as empresas de grande porte.
* Cristiano Cechella
No conjunto do trabalho, entrevistou-se, in loco, 90,9% das empresas brasileiras de grande porte instaladas em Portugal, as quais são: OGMA/Embraer S/A, Marcopolo S/A, Odebrecht S/A, H. Stern S/A, WEG S/A, CSN/Lusosider S/A, O Boticário S/A, Rede Record S/A e Banco do Brasil S/A e Banco Itaú S/A. Na actualidade, juntam-se a elas empresas como o Bradesco, o Grupo Votorantim, a Camargo Correa e a Petrobras, dentro de todo um conjunto bem mais vasto de grandes empresas brasileiras que estão a investir em outros países, e podem incluir Portugal nos seus negócios.
O Banco do Brasil S.A. (BB), por exemplo, é a segunda maior instituição financeira do Brasil, com valor de mercado de R$ 54,4 bilhões no primeiro semestre de 2009 e cerca de 26 milhões de clientes. Constitui-se na forma de sociedade de economia mista, com participação do Estado em 70% das acções. Está presente em mais de 21 países. Possui 4.043 agências, com uma estrutura de 82,5 mil funcionários.
Foi o primeiro banco do Brasil, fundado em 12 de Outubro de 1808 pelo Rei D. João VI, num conjunto de acções que visavam a criação de indústrias manufactureiras no Brasil. O Banco do Brasil evoluiu para uma forma híbrida, com funções de banco comercial e banco central (função exercida até 1964).
Em 10 de Novembro de 1941, o BB inaugura, em Assunção, Paraguai, sua primeira agência no exterior. No período pós-1945, o Banco actuou decisivamente também no desenvolvimento industrial, com destaque na implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), um dos marcos mais significativos da industrialização brasileira.
A sede do BB foi transferida para Brasília no dia da inauguração da nova capital, em 21 de Abril de 1960. Até 1966 o banco instalou poucas agências no exterior. A partir de 1967, passa a actuar com maior intensidade no plano internacional. Agências e escritórios são abertos na América Latina. Em 1969 autorizou-se a abertura da filial de Nova Iorque. Em 1971, o banco somava 975 agências em território nacional e 14 no exterior. Na actualidade, está presente em 24 países.
Em relação ao mercado português, exemplifica-se alguns factores determinantes dos investimentos:
- Ano de instalação: mais de 60% das empresas instalaram-se em Portugal após os anos 90, dentro do novo contexto competitivo mundial. As grandes empresas brasileiras começaram a sua internacionalização a partir do final dos anos 60, sob o regime militar. Naquela época, havia os chamados Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), o que potencializou o crescimento de grandes empresas a partir dos sectores de base. Também contribuiu para o avanço no exterior a tradicional abertura do país à imigração, pois tal atitude facilitou o intercâmbio entre países e trouxe novas formas de negócios.
- Taxa de retorno esperada: percebe-se uma alta satisfação com tal localização, já que 90% das empresas de grande porte estão posicionadas no retorno sobre o investimento igual ou melhor do que o esperado. Isto demonstra, para além das capacidades competitivas de tais empresas, que Portugal tem vocação para atrair grandes investimentos, caso sejam realizados os estímulos necessários.
- Afinidade cultural: pelo grau de afinidade histórico-cultural e linguística entre os dois países, era de se prever que a afinidade neste sentido seria um factor fundamental na escolha de Portugal para investir. Como previsto, 90% das empresas, ou seja, 9 em 10, levou em consideração tal factor na escolha de localização para o mercado português. Naturalmente, num contexto de análise estratégica de negócios maior e de maior facilidade de comunicação entre os povos e liberalização comercial este factor conta mais. Se assim não fosse, as relações económicas luso-brasileiras seriam maiores há muito tempo.
- Importância dos mercados a partir de Portugal: Esta questão tem a ver com Portugal como uma plataforma para outros mercados. Para as grandes empresas brasileiras, o mercado espanhol é importante, mas no mesmo nível dos mercados inseridos na União Europeia. Esta resposta deve-se à própria capacidade de expansão de tais empresas, as quais já possuem uma acção global e, portanto, não se limitam a países fronteiriços. Em último lugar, em nível de importância a partir de Portugal, está o mercado africano, pois as empresas brasileiras de grande porte podem atingir tal mercado a partir do seu próprio país de origem.
Como se vê, a localização Portugal pode ser de elevada atractividade para as empresas de grande porte, podendo trazer maior bem-estar à sua população à medida que forem realizadas as reformas imprescindíveis para alavancar o crescimento económico, e que este nutra e aspire uma sociedade ainda mais saudável, sob vários pontos de vista.
* Cristiano Cechella é economista. Mestre em Economia Empresarial pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, e Doutor em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa, assina esta série de artigos especiais para o Portugal Digital sobre o investimento brasileiro no mercado português. E-mail: ccechella2004@yahoo.it
Fonte: Portugaldigital
|