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Home / Noticias / Brasil: Lula means business na passagem por Lisboa.4.Set.2010
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
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Brasil: Lula means business na passagem por Lisboa.


Entre a recepção no Palácio de Belém, o primeiro compromisso da tarde, e a descolagem do Aero Lula, uma espécie de Air Force One brasileiro, passaram pouco mais de cinco horas. Das 17h30 às 23 horas, foi quanto durou a visita relâmpago de Luiz Inácio "Lula" da Silva a Lisboa, no âmbito da X Cimeira Luso-Brasileira, que ontem decorreu em Lisboa. Tempo suficiente para o homem que está de saída do Palácio do Planalto servir de catalisador à assinatura de sete acordos: cinco institucionais - na área da ciência, defesa, tecnologia e energias renováveis - e dois empresariais.

A Galp e a Petrobras, é certo, vão reforçar laços na exploração de petróleo no Brasil e, na sequência dos encontros de ontem, assinaram um projecto de investimento de 357 milhões de euros para produção e comercialização de biodisel. Denominado "Projecto Belém", o acordo vai permitir a criação de cinco mil postos de trabalho directos no Brasil e 30 a 40 em Portugal.

A coincidir com o timing da visita do presidente brasileiro a Lisboa, também se ficou ontem a saber que a Embraer, uma das maiores fabricantes mundiais no sector aeronáutico, já tem luz verde da Comissão Europeia para aplicar 400 milhões de euros em duas fábricas de Évora, destinadas à construção de jactos privados.

Antes dos negócios, a política À hora marcada, 17h30, o presidente brasileiro foi recebido pela guarda de honra da GNR no palácio de Belém. Foi lá que esteve reunido com Cavaco Silva durante 30 minutos, seguindo depois, a pé e muito saudado por populares, para o Museu dos Coches, onde participou na cerimónia de entrega do Prémio Camões ao escritor cabo-verdiano Arménio Vieira. Nos Coches, já José Sócrates esperava por Lula na expectativa de arranjar uma boleia para sair da crise.

Ao mesmo tempo, Lula procura ampliar a influência do Brasil no mundo (ver texto ao lado) e Sócrates, "seu admirador", até já garantiu apoiar o histórico líder do Partido dos Trabalhadores - o homem a quem Barack Obama já apelidou de "político mais popular do mundo" - a uma candidatura a Secretário-Geral das Nações Unidas. Portugal, como o primeiro-ministro português reconheceu à "Folha de São Paulo", aproveita o reposicionamento do Brasil para "ir atrás".

Relações bilaterais O investimento directo do Brasil em Portugal quintuplicou em 2009, segundo os últimos dados do Banco Central do Brasil. Se em 2008 o total investido por empresas brasileiras em terras lusas atingiu os 65 milhões de dólares, já nos doze meses do ano passado o valor saltou para os 310 milhões de dólares. Com este pulo, Portugal passou a valer 4% do total do investimento do Brasil, contra os 0,4% de 2008.

No final do ano passado, aliás, a crescente apetência brasileira por Portugal ficou patente na guerra entre a Camargo Corrêa e a também brasileira Companhia Siderúrgica Nacional pelo controlo da Cimpor. Mas há mais interessadas, conforme disse ao i Basílio Horta em Janeiro. "Há outras empresas de origem brasileira com quem a agência [AICEP] tem estabelecido contacto no mesmo sentido, e outras que nos têm dirigido de forma exploratória e que esperamos que venham a concretizar investimentos em Portugal", avançava o presidente da AICEP.

Porém, e apesar do apetite de Brasília por Lisboa, no sentido inverso as coisas não correm de feição. Seja pela crise, seja por receio, o investimento português no Brasil tem apresentado uma tendência de queda. Durante 2009, o valor aplicado pelos portugueses no Brasil recuou 6%, para 309 milhões de euros, tendo sido responsável por 1,2% dos investimentos estrangeiros no país. Valor que compara, em 2008, com uma fatia de investimento nacional de 2,4% do total do capital investido no Brasil. Apesar da queda, os interesses portugueses do lado de lá do Atlântico continuam firmes.

A Portugal Telecom é dona de um terço da maior operadora móvel brasileira, a Vivo, com 54 milhões de clientes. Já a Brisa detém 16,3% da CCR - maior concessionária de auto-estradas brasileira - e a Energias do Brasil, detida pela EDP, serve mais de sete milhões de clientes no país.


Fonte: Gonçalo Venâncio, i
In: Portugalnews





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