Mais de 300 milhões de euros foram investidos por Portugal no Brasil em 2009, mas para muitas pequenas e médias empresas lusas o Brasil surge agora como oportunidade de ouro para expansão do negócio, internacionalização ou até sobrevivência.
Com a Europa mergulhada na crise, o país-irmão que integra o leque de mercados emergentes tornou-se mais atractivo do que nunca para os empresários portugueses. E oportunidades não faltam.
"Estou feliz porque finalmente o Brasil e Portugal se reencontraram e compreenderam a posição estratégica que cada um tem do ponto de vista geográfico". As palavras são de Lula da Silva, presidente do Brasil, e foram proferidas por ocasião da assinatura de sete acordos de cooperação com Portugal.
Foi também nesta ocasião que Lula da Silva recordou as 600 empresas portuguesas que já investiram mais de 20 mil milhões de euros, agora que o fenómeno inverso também começa a ser verificado, com muitas empresas brasileiras a identificarem em Portugal a melhor porta para uma entrada no mercado europeu.
Mas o Brasil continua a ser muito apetecível para as empresas lusas. Se há alguns anos atrás eram as empresas de maior dimensão que apostavam na expansão em território brasileiro, sobretudo na área da energia, telecomunicações e serviços financeiros, hoje são muitas as pequenas e médias empresas que arriscam atravessar o Atlântico em busca do crescimento do volume de negócios e, em muitos casos, da sobrevivência.
A crise financeira e económica no velho continente tem obrigado a reduções drásticas em muitas facturações lusas, despertando entre os empresários uma onda de prospecção de mercados alternativos, onde o Brasil ganha um protagonismo óbvio. Integra o leque de países emergentes, o seu poder de compra cresce de dia para dia, as necessidades de modernização são prementes, a mão-de-obra e a matéria-prima abundam em todo o território e, como a cereja no topo do bolo, as afinidades culturais saltam à vista e até falam a mesma língua.
No último ano, o investimento português no Brasil caiu 6%, para os 309 milhões de euros. Portugal foi, ainda assim, responsável por 1,2% dos investimentos estrangeiros no Brasil, mas em 2008 havia representado 2,4% do investimento forasteiro total. Já no sentido inverso, o investimento directo do Brasil em Portugal quintuplicou em 2009, para mais de 250 milhões de euros, segundo contas do Banco Central do Brasil, que colocam Portugal a representar 4% do total do investimento brasileiro.
A quatro anos da realização do Mundial de Futebol de 2014 e a seis dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, as oportunidades para investimento português aumentam exponencialmente. "O Rio de Janeiro é um estado de grandes oportunidades pelo facto de serem aqui realizados os Jogos Olímpicos e também alguns jogos do Mundial de Futebol", reconheceu precisamente José Sócrates, segundo o qual o governo brasileiro lhe terá apresentado muita vontade de que as empresas portuguesas se estabeleçam no Brasil, "façam parcerias e concorram às oportunidades delineadas para o desenvolvimento no Rio de Janeiro".
Aliás, o primeiro-ministro português aproveitou mesmo a curta estadia no Brasil, nos últimos dias de Maio, para reunir com representantes dos sectores bancário, comerciais, da energia e da construção, com quem foram debatidas oportunidades de investimento.
Fonte: Ana Santos Gomes, Oje
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