Os investidores globais voltaram a ver com bons olhos as aplicações em mercados emergentes. Passado o pior momento de aversão ao risco por conta das preocupações com o alto endividamento da Europa, os países em desenvolvimento retomaram a confiança dos aplicadores. É o que revela pesquisa do BofA Merrill Lynch com gestores de fundos do mundo todo. No total, 207 executivos da área, que gerenciam US$ 606 bilhões, participaram da pesquisa realizada entre os dias 4 e 10 de junho.
Segundo o levantamento, 31% dos investidores ouvidos estão com posições acima da média ("overweight"), em relação aos índices de referência, em mercados emergentes. O percentual se mostra bem acima dos 19% registrados em maio. Apesar da alta, os níveis estão abaixo dos registrados em 2009. Em junho do ano passado, por exemplo, 54% dos entrevistados se disseram "overweight" emergentes.
Os gestores colocam a Turquia e a Rússia como os mercados emergentes mais atraentes. A aposta em Turquia atingiu o maior nível desde janeiro de 2009. O Brasil aparece em sexto lugar entre os preferidos. Além dos mercados turco e russo, estão à frente Indonésia, África do Sul e Tailândia.
Embora a confiança nos emergentes tenha crescido, a perspectiva para a China piorou, caindo para o menor nível desde janeiro de 2009. Dos gestores de recursos ouvidos, 27% esperam que a economia chinesa se enfraqueça nos próximos 12 meses, fatia bem maior que os 21% registrados em abril. As commodities, altamente correlacionadas com a riqueza chinesa, sofreram. Apenas 4% dos investidores globais mantêm aplicações acima da média nessa classe de ativos, queda ante 17% no mês passado.
A crença do investidor no crescimento econômico global e na habilidade das corporações em melhorar seus lucros também se deteriorou significativamente, de acordo com pesquisa da Bofa Merrill Lynch. Segundo o levantamento, apenas 24% dos entrevistados acreditam que a economia mundial vai se fortalecer nos próximos 12 meses, uma queda em relação aos 42% de maio e 61% de abril.
Os investidores globais expressaram preocupação similar com os lucros corporativos. Dos consultados, 28% acreditam que os lucros subirão nos próximos 12 meses, uma queda ante aos 47% em maio e 67% há dois meses.
Os temores com inflação despencaram e, como resultado, 80% dos participantes descartaram a possibilidade de uma alta dos juros por parte do Fed (banco central americano) em 2010. A pesquisa também revela que os investidores veem oportunidades de compra - 38% disseram que as ações estão depreciadas, maior percentual desde março de 2009.
O sentimento negativo dos investidores globais com a Europa parece ter se reduzido depois do pior nível registrado em maio. A pesquisa de junho mostra que 19% dos entrevistados preveem uma valorização do euro no próximo ano. Apenas 7% dos gestores de fundos europeus acreditam numa melhora da economia da região no próximo ano, ante 23% em maio, de acordo com a pesquisa regional.
Fonte: NetMarinha In: Mailclipping Comex - Fiec/Cin |