Foram aprovados 35 novos Projectos Conjuntos de Internacionalização para execução em 2010, em que se prevê o envolvimento de 1.370 empresas.
Basílio Horta diz que a AICEP realiza, sistematicamente, acções de imagem e de reposicionamento do País, organizando mostras de prestígio, convidando jornalistas e promovendo a oferta portuguesa nos mercados através da organização de missões empresariais, de feiras e de outros eventos internacionalmente relevantes, sobretudo em mercados emergentes. Até finais de Outubro, a Agência realizou 46 acções de sensibilização empresarial, envolvendo mais de 3.000 participantes, o que em termos numéricos significa cerca do triplo, face aos valores de 2008, versando cerca de 30 mercados.
Qual o papel da AICEP para com os empresários portugueses?
Especialmente vocacionada para o negócio internacional, a AICEP Portugal Global acompanha as empresas portuguesas, em particular as Pequenas e Médias Empresas (PME), na dupla vertente de exportação e do investimento no estrangeiro, além de fazer prospecção e apoiar o arranque da actividade exportadora de outras com produto ou serviço próprios em que seja identificado potencial de internacionalização. Assim, a Agência disponibiliza um amplo leque de apoios genéricos e padronizados, bem como assistência técnica personalizada e aconselhamento estratégico especializado em todas as fases do processo de internacionalização, procurando encontrar as melhores soluções para cada caso em particular e responder às necessidades individuais e específicas das empresas, na expansão dos seus negócios fora da sua base geográfica nacional.
Que instrumentos e serviços tem ao seu dispor para os apoiar?
Através do Gestor de Cliente, a empresa pode aceder a informação, produtos e serviços variados que cobrem, potencialmente, todo o processo de internacionalização da actividade empresarial, em particular das PME. Entre os mais procurados, saliento os instrumentos e incentivos financeiros geridos ou divulgados pela AICEP; a informação económica e regulamentar sobre os mercados de natureza genérica e específica, sectorial, estatística, incluindo consultoria regulamentar sobre condições legais de acesso aos mercados e de investimento nos mesmos, listas de importadores, entre outras; informação sobre feiras internacionais; e a 'newsletter' digital. Relevo também as acções de capacitação e sensibilização sobre os mercados de natureza genérica - o ABC Mercados e o Como Vender em.... Disponibilizamos ainda um vasto leque de serviços personalizados, em particular os fornecidos pela nossa Rede Externa. Entre estes, as empresas dispõem de apoio informativo e logístico no âmbito da Diplomacia Económica, apoio ao investidor português no estrangeiro, informação sobre potenciais clientes estrangeiros, oportunidades de negócio, consultoria e assessoria técnica directa às empresas na abordagem aos mercados, aspectos regulamentares, prospecção e estudos de mercado, análise da concorrência e dos clientes, canais de distribuição, procura de agentes, identificação de segmentos de mercado com potencial para os produtos e serviços portugueses, quadros de referência comportamental e tendências dos consumidores, agendamento de reuniões e preparação de contactos, disponibilização de áreas de escritório, ou aquisição de cadernos de encargos. Sistematicamente realizamos acções de imagem e de reposicionamento do País, organizando mostras de prestígio, convidando jornalistas e promovendo a oferta portuguesa nos mercados através da organização de missões empresariais, de feiras plataforma e de outros eventos internacionalmente relevantes, sobretudo em mercados emergentes.
Em quantos países a Agência tem escritórios?
Neste momento, estamos presentes em todos os continentes com 50 pontos de rede, entre Centros de Negócios, Escritórios e Representações.
Que balanço faz das acções a AICEP nos últimos anos?
A avaliação que é feita pelos parceiros para quem e com quem trabalhamos - empresas, associações empresariais e outros agentes económicos - permite concluir que a acção da Agência é francamente positiva. É claro que a nossa ambição é fazer cada vez mais e melhor e penso que o temos conseguido, aplicando a experiência e o saber que temos acumulado e associando-nos a parceiros fundamentais, como as Universidades, com quem temos vindo a estabelecer protocolos de colaboração para apoiar as empresas no seu esforço de internacionalização.
Quantas empresas apoiaram este ano?
Genericamente, a esmagadora maioria das nossas empresas com actividade exportadora procuram o apoio da Agência, quer recorrendo directamente aos nossos serviços em Portugal ou à nossa rede externa, quer através das respectivas associações empresariais com quem mantemos importantes parcerias. Além do contacto directo das empresas com a Agência para obter informação ou respostas mais específicas relacionadas com a actividade das empresas nos diversos mercados, temos realizado um conjunto de acções formativas e informativas da maior importância para as empresas. Na área da capacitação, uma destas vertentes, foram concretizadas durante este ano e até finais de Outubro, 46 acções de sensibilização empresarial, envolvendo mais de três mil participantes, o que em termos numéricos significa cerca do triplo, face aos valores de 2008, versando cerca de 30 mercados com uma elevada percentagem de novas entidades participantes. Ao abrigo dos Quadros Comunitários de Apoio, a Agência tem apoiado um número significativo de projectos de prospecção e marketing internacional, quer de natureza individual, quer colectiva. No triénio 2005/2007 o montante de investimento aprovado aproximou-se dos 170 milhões de euros, em cerca de dois anos de aprovações ao abrigo do novo QREN (2008/2009) o montante de investimento aprovado ultrapassa já os 345 milhões de euros. O montante de incentivo público alocado a estes projectos entre 2008 e início de 2009 supera já os 123 milhões de euros, sendo que neste caso haverá que salientar que as intensidades dos incentivos baixaram significativamente entre os dois quadros de apoio, o que significa também um maior nível de compromisso próprio das empresas no financiamento e na execução dos projectos.
Quantas missões empresariais organizou este ano?
Para este ano foram aprovados 26 Projectos Conjuntos de Internacionalização, de índole sectorial ou transversal, dinamizados por associações empresariais e em que estiveram envolvidas cerca de 1.200 empresas em acções de promoção de natureza colectiva nos mercados externos. Em termos globais, foram realizadas cerca de 300 acções de promoção em mais de 40 mercados externos. Foram também já aprovados 35 novos Projectos Conjuntos de Internacionalização para execução em 2010, em que se prevê o envolvimento de 1.370 empresas em mais de 460 acções de promoção em 58 mercados externos.
É uma boa altura para investir?
A crise também cria várias oportunidades. Várias empresas portuguesas estão a aproveitar as oportunidades que se abrem em outros mercados. Os investimentos da EDP, da Emparque, da Sovena, da Hovione e da Ongoing, para além de tantas outras, cá estão para o demonstrar.
Acha que as linhas de crédito PME Investe devem continuar? Para que sectores?
Sou manifestamente favorável à continuação e mesmo ao reforço das Linhas de Crédito PME Investe, considerando os resultados, obtidos até ao momento com as quatro Linhas criadas neste contexto. O IAPMEI tem-me facultado com regularidade pontos de situação sobre a utilização destas Linhas e mediante a análise destes dados só pode concluir-se que foram um sucesso, com um excelente grau de utilização pelas empresas, designadamente PME. Globalmente consideradas, as Linhas PME Investe podem considerar-se uma aposta bem sucedida - até ao momento, foram aprovadas 48.967 candidaturas. Atendendo à situação actual, sou de parecer que estas Linhas devem continuar sobretudo em relação aos sectores estratégicos ou considerados prioritários para a saída da "crise", ou seja, todos os sectores exportadores, através do reforço das Linhas Exportadores, bem como das Linhas PME - em particular as Micro e Pequenas Empresas, que são as que mais dificuldades atravessam - face ao seu peso no tecido empresarial português.
Os impostos deviam descer como forma de aliviar as empresas?
Idealmente creio que não haverá ninguém que não deseje uma descida de impostos e, se possível, - passe o lugar comum - a manutenção ou até um alargamento e melhoria dos serviços do Estado. A fiscalidade, reconhecidamente, faz parte de uma constelação de factores que interferem na competitividade e no desenvolvimento económico. A política financeira e as exigências orçamentais não podem desligar-se das realidades conjunturais e das obrigações a que estamos sujeitos, no plano nacional e europeu. Trata-se, pois, de decisões complexas, em que intervêm factores de ponderação muito diversos e em que se exige uma visão global da situação do País.
Fonte: Carlos Caldeira, PME LÍDER 2010, Diário Económico In: Portugalnews
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